Um pouco de história de Patāñjali havia sido compilada em um texto chamado PatāñjaliCarita (Vida de Patāñjali), escrito por um yogue Ramabhadra Diksitar, no sec. XVIII descreve o sábio Patāñjali como autor do Yoga Sutra e de um tratado médico de título incerto. O texto não é tão facilmente disponível hoje em dia.

Patāñjali teria vivido entre 200 a.C. a 400 d.C., alguns textos dizem que ele foi filho de Angiras e Gonika, e outros que Gonika não foi casada. Hiranyagarbha era pai de Gonika, avô materno de Patāñjali. Uru e Agneyi, pais de Angiras, seus avós paternos. Hiranyagarbha era uma manifestação de Brahma e Agneyi, era a filha de Agni.

Há referências de Patāñjali como sendo o principal sacerdote do Rei Pusyamitra Sunga, considerado um purohita (ou pandit), autorizado a realizar rituais para a família real, considerado uma influência para religiosa deste imperador. O Império Sunga é reconhecido por uma série de contribuições na arte, filosofia, educação, mais notavelmente, o Yoga Sutras de Patāñjali e Mahābhāya foram compostos neste período.

Patāñjali tinha uma vida social normal, foi casado com Lolupa sua única esposa. Lolupa era brilhante, dedicada, inteligente e proficiente em música, com ela teve um filho chamado Nagaputra (filho da serpente) que se converteu em seu sucessor. Outro grande discípulo de Patāñjali foi o lendário Dattatreya. Patāñjali é muito reverenciado no sul da Índia, onde se acredita que passou a maior parte de sua vida. Conta-se que em certa ocasião, sendo insultado por alguns habitantes enquanto estava dedicado à prática de austeridades religiosas, ele os reduziu a cinzas com um fogo que emitiu por sua boca. A escola de Patāñjali acabou sendo reconhecida como Darshana (6 escolas filosóficas do hinduísmo), por isso é chamada de Yoga Clássico.

YOGA SUTRAS

Patāñjali sistematizou, codificou e compilou de forma concisa e perfeita todo ensinamento filosófico e técnico do Yoga. O sutra é um tipo de texto que surgia ao final de longos períodos de debates, durante os quais as idéias tratadas amadureciam no calor de acirradas disputas verbal. Quando o consenso se formava e o sistema filosófico resultante parecia consistente, algum dentre os melhores praticantes do sistema era convidado para elaborar os aforismos que o perpetuariam. Um Sutra (linha, fio) é uma composição de afirmações aforísticas, como um fio que amarra todas as idéias. O Yoga Sutras de Patāñjali é um tratado sobre o Raja Yoga, baseado no Samkhya e nas escrituras hindus do Bhagavad Gita, também utiliza os conhecimentos dos Puranas, Vedas e Upanishads.

Os seus 195 Sutras ou Aforismos foram compilados e estão distribuídos em 4 capítulos: Samâdhipâda (51 aforismos), Sâdhanapâda (55), Vibhûtipâda (55) e Kaivalyapâda (34), algumas edições têm 196 Sutras, outras 194 ou mesmo 197. O primeiro capítulo trata dos requisitos à prática do Yoga. No segundo capítulo ele apresenta os oito passos da realização do Yoga: Yama, Niyama, Asanas, Pranayama, Pratyahara, Dharana, Dhyana e Samadhi. O terceiro capítulo fala da meditação do Yoga (samyama) e os resultados que ela produz. O quarto capítulo trata do objetivo final do Yoga, a libertação. No primeiro capítulo Patāñjali define com brevidade o que é o Yoga: “O Yoga é a cessação (nirodha) das flutuações (vrttis) da mente (citta)”.

O Yoga Sutras é comentado por escritores como Vyasa (cujo Yoga Bhashya, comentário sobre o Yoga Sutras, foi escrito 650-850 d.C), Vacaspati Mishra (cujo Tattva-Vaisharadi, ou comentário sobre o Yoga Bhasya, escrito em 850 d.C), Bhoja Rajamartanda (cujo Yoga-Sutra-Vritti, foi escrita durante do século XI d.C), e Vijnana Bhikshu (cujo Yoga Sara Samgraha, foi escrita durante o século XVI).

INVOCAÇÃO A PATĀÑJALI

“Yogena cittasya padena vacam malam sarirasya ca vaidyakena yopakarottam  pravaram muninam Patāñjalim  pranajaliranato’smi abahu purusakaram  sankha cakrasi dharinamsahasra sirasam  svetam pranamami Patāñjalim”.

“Vamos nos curvar diante do mais nobre dos sábios Patāñjali, que deu a yoga para a serenidade e santidade da mente, gramática para clareza e pureza da fala e da medicina para a perfeição da saúde. Deixe-nos prostrados diante Patāñjali, uma encarnação de Adisesa, cuja parte superior do corpo tem uma forma humana, cujos braços seguram uma concha e um disco, e que está coroado por uma serpente de mil cabeças”.

Os autores desta invocação são realmente desconhecidos. Naquela época não era costume mencionar o nome de si mesmo como autor ou escritor. Porém alguns textos clássicos falam que abahu purusakaram foi escrito pelo rei Bhojadeva no ano de 1100 d.C autor do Rajamartanda Vrtti, um comentário dos Yoga Sutras.

Há registros que na Caxemira, um gramático chamado Kaiyats Upadhya, expressou na abertura de sua Bhashya Pradipa um belo verso: Yogena cittasya padena vacam malam sarirasya ca vaidyakena yopakarottam  pravaram muninam Patāñjalim  pranajaliranato’smi

Fonte:
Carlos Eduardo G. Barbosa, Os Yogasutras de Patañjali, Pātañjala Yogasutrāni
Georg Feuerstein, A Tradição do Yoga, Ed. Pensamento, 2001
Georg Feuerstein, Enciclopédia de Yoga, Ed. Pensamento, 2005